O Projecto Caminhar teve como objectivos globais a promoção da qualificação, do emprego e a inclusão social e a participação social, da cidadania e a dinamização comunitária no Litoral Alentejano.
As acções deste projecto encontram-se sintetizadas no quadro seguinte:
Quadro 1. Plano de Acções do Projecto "Caminhar"
Acção |
Código |
Acção do Projecto |
| Promoção da Participação e Acção Comunitária | 1.1 | A) Diagnóstico das Necessidades de Qualificação e de Certificação de Activos |
| 1.2 | B) Animação Intergeracional | |
| 1.3 | C) Promoção Transversal do Projecto | |
| 1.4 | D) Escola Aberta à Comunidade | |
| 1.4 | E) Workshops Temáticos para Activos Desempregados | |
| 1.7 | G) Gabinete de Apoio à Dinamização do Mercado de Emprego | |
| 1.8 | H) Dispositivo de Inserção e Acompanhamento | |
| Melhoria das Competências Pessoais e Sociais | 2.3 | I) Promoção da Cidadania dos Imigrantes do Litoral Alentejano |
| 2.4 | J) Serviço de Apoio Psico-Social (*) |
1ª ACÇÃO TIPO: PROMOÇÃO PARTICIPAÇÃO E DA ACÇÃO COMUNITÁRIA
ACÇÃO A - Diagnóstico das Necessidades de Qualificação e de Certificação de Activos
Esta acção teve como objectivo o diagnóstico e caracterização de necessidades de qualificação e certificação de activos empregados e desempregados com escolaridade inferior a 9 anos, de forma a analisar a receptividade da população alvo do Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) do Litoral Alentejano. O estudo visou adequar a estratégia de divulgação / selecção dos potenciais candidatos de modo a contribuir para o aumento de qualificação escolar e profissional da população do Litoral Alentejano e, consequentemente, para a sua afirmação cultural e económica, cidadania activa e coesão social. Simultaneamente pretendeu-se levantar necessidades ao nível da formação e certificação profissional que orientassem a promoção de uma estratégia integrada de educação e formação de adultos no Litoral Alentejano.
Esta investigação-acção permitiu que fosse realizado em simultâneo o processo de diagnóstico e o encaminhamento e envolvimento dos indivíduos para o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências e também para as diferentes ofertas de formação e certificação da região.
A primeira fase do estudo passou pela recolha bibliográfica de estudos de diagnóstico de necessidades de qualificação e de bibliografia que remetesse para metodologias de concepção e organização de instrumentos de avaliação, procedimentos de análise estatística, modalidades e domínios de formação, o seu papel no desenvolvimento local, noções de competências básicas e transversais, relatórios do CEDEFOP relativamente à formação profissional, planos de actividades formativas do IEFP (região Alentejo), inquéritos à formação e seu impacto, do DETEFP, regulamentação e funcionamento do Sistema Nacional de Certificação Profissional e, orientações do PNE para a promoção da qualificação base e formação profissional da população activa.
Esta pesquisa permitiu seleccionar e elaborar um instrumento de avaliação e definir as técnicas de recolha de dados a utilizar (amostragem e procedimentos estatísticos).
O estudo orientou-se para 3 níveis de diagnóstico: Individual, organizacional e do meio externo.
Numa segunda fase procedeu-se à sensibilização das entidades públicas e privadas que intervêm localmente nas esferas da educação e formação de adultos e do emprego (ex. Centros de Emprego e Formação e outras entidades formadoras, escolas, autarquias, entre outras) para a importância da sua colaboração no estudo, realizando a auscultação das mesmas ao nível da metodologia e instrumentos de recolha de dados.
Foram elaborados dois questionários (semi-abertos), um ao nível das empresas dos cinco concelhos do Litoral Alentejano e outro para indivíduos em situação de emprego e desemprego com menos de 9 anos de escolaridade.
A terceira fase do trabalho caracterizou-se pela adjudicação do trabalho de assessoria estatística ao GIESTA – Grupo de Investigação Estatística e Análise de Dados do ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Esta fase compreendeu também a aplicação em si dos inquéritos em todos os concelhos da Zona de Intervenção: Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira.
No decorrer da aplicação e na interacção dos inquiridores com os empresários e com os indivíduos inquiridos (empregados e desempregados) foi possível registar várias informações importantes, entre as quais:
- desconhecimento e/ou descrédito da formação no território por parte das empresas;
- empresas declaram necessidades de formação muito específicas e para as quais a rede de oferta formativa existente não consegue dar resposta;
- baixa qualificação académica e profissional dos recursos humanos das empresas;
- o acesso à oferta formativa é muitas vezes um processo complicado e pouco célere;
- Desmotivação dos indivíduos no que diz respeito ao aumento das suas habilitações académicas e/ou profissionais.
Não foi possível aplicar os inquéritos ao total da amostra de empresas definida inicialmente (N=476 empresas), aumentando deste modo o erro amostral para 5%. No final da recolha de dados tinham sido aplicados inquéritos a 371 empresas, ficando assim por aplicar 105 inquéritos.
A amostra de indivíduos foi definida de acordo com as suas habilitações escolares.
Optou-se pela aplicação de questionários a indivíduos em situação de emprego e desemprego, sendo que os primeiros seriam funcionários das empresas seleccionadas, até um máximo de dois funcionários por empresa e os indivíduos desempregados a inquirir seriam aqueles que procurassem emprego através do Dispositivo de Inserção e Acompanhamento da ADL.
Os inquéritos foram aplicados no período de Junho a Setembro de 2004 e abrangeram um total de 345 indivíduos.
A quarta e última fase consistiram no tratamento estatístico quantitativo e qualitativo dos dados recolhidos através dos instrumentos utilizados e na elaboração das conclusões.
Apesar da amostra de empresas inquiridas não ser representativa da população e, por isso, não permitir realizar a generalização dos resultados para a zona de intervenção considerada, os dados obtidos vão ao encontro das estatísticas do Instituto Nacional de estatística e do Instituto de Emprego e Formação Profissional para a região do Alentejo Litoral. Os resultados e conclusões deste estudo encontram-se publicados.








